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Séries – Nossos Heróis – Juliano Moreira – Parte 2

Agora vamos mergulhar um pouco mais na vida e obra de Juliano Moreira.

Pensem neste cenário: Brasil, alguns anos antes da abolição da escravatura, um homem negro brilhante querendo exercer a psiquiatria e ser professor universitário.

Realizou? Por isso chamei a atenção às datas.

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Juliano Moreira nasceu em Salvador, Bahia em 1873 – faleceu na cidade do  Rio de Janeiro em 1933.
Aos leitores que não são fascinados por história, por favor prestem atenção nas datas, elas vão fazer toda a diferença no entendimento do Juliano como um ídolo. Rs
Foi um homem de múltiplo, como citado no post http://www.bantu.com.br/2016/07/17/series-nossos-herois-juliano-moreira-parte-1/.
Por isso escolhemos exaltar sua trajetória de vida e  seu destaque na psiquiatria.

 

Há fontes que dizem que  foi criado pela mãe e reconhecido mais tarde pelo pai, o português Manoel do Carmo Moreira Júnior, inspetor de iluminação pública, e ela empregada doméstica na casa de um conhecido médico baiano. Juliano Moreira se interessou muito cedo, cedo mesmo pela Medicina, incentivado, inclusive, pelo patrão da mãe.

Em 1886, aos 13 anos, Juliano Moreira entrou na Faculdade de Medicina, na Bahia. Formou-se em 1891, aos 18 anos, com a tese “Sífilis maligna precoce” tornando-se depois referência mundial no campo da sifiligrafia. Detalhe importante, antes da abolição da escravatura.
No mesmo ano, tornou-se professor dessa mesma faculdade e, na época, já tinha trabalhos publicados em várias revistas científicas na Europa. Aos 23 anos, Juliano Moreira passou num concurso para o cargo de assistente da cátedra de Clínica Psiquiátrica e Doenças Nervosas da Faculdade de Medicina da Bahia.

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“ Seu concurso foi uma luta árdua, contra a inveja, o preconceito, as picuinhas acadêmicas que já existiam naquela época. O Prof. Tilemont Fontes não facilitava vida para Juliano. Sobre ele assim se expressou Afrânio Peixoto; “O titular da Cadeira, então, esse, manso, sorria, não dava aula, tinha fama de inteligente, por que não produzia nada, mas alunos virgens e delicados, convinham que lhes resumia suficientemente a especialidade.

De uma reportagem do Correio da Bahia-Repórter, de 30 de julho de 2001, extrai o seguinte trecho: Ainda era cedo, os portões da Faculdade de Medicina da Bahia nem tinham sido abertos, mas já havia um movimento intenso de estudantes no Terreiro de Jesus. É que eles ardiam em curiosidade para conhecer o resultado do concurso para professor que, finalmente, seria divulgado. Os estudantes tinham acompanhado tudo de perto, lotando o salão nobre em cada uma das fases: prova prática, de didática e defesa de tese.

O objetivo era evitar “marmelada”, afinal, eles sabiam que não seria fácil para o jovem médico negro Juliano Moreira vencer um concurso numa instituição com fama de racista, frente a uma banca examinadora majoritariamente escravocrata. A libertação dos escravos, com a assinatura da Lei Áurea, tinha acontecido há apenas oito anos. Foi por isso que, naquela manhã de maio de 1896, quando finalmente entraram no prédio, os futuros médicos mal puderam acreditar no resultado afixado no mural: ao todo, Juliano tinha recebido 15 notas dez.

A vaga era dele. Aquele foi um dia memorável para todos os estudantes, que comemoraram até altas horas a vitória do mérito sobre o preconceito. Juliano era famoso e querido desde os tempos de estudante, por sua modéstia e genialidade: tinha concluído o curso de medicina com apenas 18 anos de idade, com uma tese que tornou-se conhecida internacionalmente. Agora, com apenas 23 anos, tinha conseguido superar concorrentes poderosos e se tornava o mais novo professor da faculdade.”

 

Um aspecto marcante na obra de Juliano Moreira foi sua explícita discordância quanto à atribuição da degeneração do povo brasileiro à miscigenação racial, especialmente a suposta contribuição negativa dos negros na miscigenação.
Juliano, ao contrário de Nina Rodrigues, defendia que as doenças nervosas e mentais eram causadas por fatores como o alcoolismo, a sífilis, as verminoses e as condições sanitárias e educacionais adversas. Ele também desafiava outro pressuposto comum à época, de que existiriam doenças mentais próprias dos climas tropicais.
Além de aumentar a abrangência da Psiquiatria no país, Juliano iniciou uma nova abordagem da loucura. Ele foi o primeiro no Brasil a atribuir características físicas (lesões dos nervos e do cérebro) e psicológicas (desordens intelectuais e afetivas) às doenças mentais. Foi grande divulgador das idéias de Freud.

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Juliano Moreira foi o primeiro psiquiatra brasileiro a receber reconhecimento internacional. Participou de muitos congressos médicos e várias vezes representou o Brasil no exterior. Foi membro de diversas sociedades médicas e antropológicas internacionais e fundou, em colaboração com outros médicos, os periódicos Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal (1905), Arquivos Brasileiros de Medicina (1911) e Arquivos do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1930). Foi fundador da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal em 1907, e da Academia Brasileira de Ciências, em 1917.

 

Gente, tem como acordar domingo de manhã, ler sobre esse ser incrível e não ficar feliz?! Não né! Tem mais, sim tem mais…rsss
Para quem quiser mergulhar nos seus feitos mais profundamente, deixo alguns links abaixo. 😉

 

Agora falando um pouquinho sobre a missão da Bantu, queremos dar luz a essas narrativas maravilhosas. Mudando o foco da visão, vemos que temos muita potência.  O PRIMEIRO psiquiatra do Brasil, a receber reconhecimento internacional foi um homem NEGRO!  Isso não é FANTÁSTICO.
São histórias ricas como a dele que queremos trazer.
Para nós identidade importa sim, queremos resgatar e compartilhar as belas histórias que pouco conhecemos.
Empoderar através do conhecimento é um dos nossos valores primordiais.

 

Pensando nisso, que tal empoderar uma amiga (o) hoje?

Conte ou compartilhe com ele quem foi Juliano Moreira.
Vamos disseminar a potência que existe em nossa cultura ancestral. cropped-13443127_876114272493245_5739661386634319869_o-1.jpg

 

http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/viewFile/2241/1380

http://www.polbr.med.br/ano02/wal0702.php

http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/viewFile/2241/1380

http://static.scielo.org/scielobooks/p26q6/pdf/portocarrero-9788575413883.pdf

http://www.geledes.org.br/historia-da-psiquiatria-juliano-moreira-1873-1933/

http://oglobo.globo.com/rio/bairros/patrimonio-historico-da-colonia-juliano-moreira-antigo-hospital-psiquiatrico-no-rio-esta-em-risco-17300752

http://www.geledes.org.br/juliano-moreira/

http://antigo.acordacultura.org.br/herois/heroi/julianomoreira

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/reportagem-psiquiatria-sem-preconceito

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000400007

http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/história-e-memória/história-e-memória/2014/07/17/juliano-moreira

https://pt.wikipedia.org/wiki/Juliano_Moreira

http://www.polbr.med.br/ano12/wal0212.php

 

Grande beijo,

 

 

 

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