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O Dia 25

De quem você lembra quando se fala em heroísmo no Brasil? Quem são nossos heróis? Lembrou-se de Tiradentes? Lembrou de D.Pedro I, Duque de Caxias, Getúlio Vargas? Normal. A história nos ensinou assim. Talvez um ou outro tenha lembrado Zumbi dos Palmares… mas das mulheres,não aprendemos quase nada ou nada. Difícil lembrar de mulheres quando o assunto é heroísmo no Brasil,sobretudo se forem mulheres negras. Mas no mês passado rolou um dia criado exatamente para isso: para lembrarmos-nos das nossas heroínas negras.

Dia 25

O mês de Julho tem uma data muito significativa: o dia 25. Não é meu aniversário nem de nenhum ente querido. Talvez você não saiba, mas o dia 25 de Julho é um dia dedicado a Mulher Negra.

Pois é, desde 1992 é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Tanto pelo lado afetivo quanto pelo lado histórico, a data me emociona.

Pelo aspecto afetivo, a data me faz recordar minha família. Minhas primas, minhas tias, minhas avós…minha mãe! Que fizeram e fazem tanto por mim! Também não poderia esquecer de pessoas muito especiais que conheci nos últimos anos, como minha namorada, minha sogra e por que não, uma empreendedora cheia de iniciativa e ideias chamada Renata, que mal conheço mas já admiro pacas! (risos)

Brincadeiras a parte, historicamente, a mulher negra representa um dos perfis sociais que mais sofreram discriminações na América. Vitimas do racismo e do machismo, desde a chegada no continente americano através do tráfico negreiro, tiveram que enfrentar toda sorte de desafios, sendo subestimadas intelectualmente, exploradas em serviços diversos, sofrendo violência física, inclusive sexual.

Porém, foram a luta! Em alguns casos foram a luta literalmente, como conta a história de Dandara e Tereza de Benguela no Brasil. Outras foram a luta, mas nas lutas do cotidiano. Para educarem seus filhos, para buscarem respeito, lutando contra o racismo, em fazendas e quilombos nos séculos passados, ou em cortiços, becos e vielas na atualidade.

No Brasil, o dia 25 de Julho foi instituído desde 2014 como Dia Nacional da Mulher Negra e de Tereza de Benguela. Historicamente subjugadas e muitas vezes subestimadas, as mulheres negras recebem um dia dedicado a elas como forma de homenagem, retratação, reflexão e fortalecimento da memória positiva de um perfil social outrora discriminado. A memória é alvo de disputa constante e uma homenagem deste tipo é fundamental para a autoestima e empoderamento de milhões de cidadãs brasileiras.

Associar o dia 25 de Julho a memória de Tereza de Benguela é oportuno, na medida em que esta foi uma mulher negra, escravizada, líder de um quilombo (esconderijo de escravos) no Mato Grosso, respeitada e admirada por seus contemporâneos. Simboliza resistência contra o racismo e o sistema escravista da época e ao mesmo tempo, através de sua história, mostrou a capacidade de uma mulher negra liderar e definir estratégias, dificultando, mesmo sem recursos militares, a destruição do quilombo pelas tropas portuguesas.

Obviamente, se você está lendo este texto agora, não é mais 25 de Julho. Mas talvez esse tenha seja o seu momento de reflexão sobre o a importância de nossas heroínas negras, o seu dia 25 particular. Acredite, tivemos muitas heroínas negras, mas não nos ensinaram nem falaram sobre elas. Pesquise sobre Tereza de Benguela, Dandara, Aqualtune, Luiza Mahin, Tia Ciata, Jovelina Perola Negra, Ruth Souza, Zezé Motta, Aizita Nascimento, Deise Nunes, Pinah Ayoub, entre tantas outras.

A BANTU é um 25 de Julho constante, em movimento e quer despertar isso em cada um de nós. Foram muitas as negras marcantes na nossa história e a BANTU e o 25 de Julho buscam esse resgate. Busque você também! cropped-13443127_876114272493245_5739661386634319869_o-1.jpg

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